ESPECIAL 45 anos: “Não tem nada fácil na vida”, diz Joyce Ribeiro

Profissionais contam suas experiências como aluna do FIAM-FAAM, jornalista e publicitária e a importância de debater as diferenças

Edilaine Felix
(texto original Revista Dumela) *

Formada em jornalismo no FIAM-FAAM no ano 2000, Joyce Ribeiro fala sobre a necessidade de trabalhar na academia as diferenças. Ela recorda que, sempre quis fazer telejornalismo e sem referências de professores, colegas negros, a referências eram Gloria Maria, Zileide Silva, Dulcineia Novaes, três jornalistas da mesma emissora, da Rede Globo. “Mas eu perguntava: e as outras? A gente não via, não conhecia. A gente precisa ter em que se espelhar. É difícil a gente vislumbrar sem saber como fizeram antes”, diz.

Joyce iniciou a carreira de jornalista como estagiária na televisão da LBV (Legião da Boa Vontade) e ali aprendeu o passo a passo de jornalismo televisivo, atuou como produtora, pauteira e começou a fazer apresentação. “Não tem nada fácil na vida. Qualquer caminho seria bem complicado. Para mulher é complicado, para mulher negra é mais complicado ainda.”

Com lembranças carinhosas da época do curso de jornalismo, no final dos anos 1990, Joyce recorda de nomes de professores – alguns que ainda estão na instituição -, e dos avanços no mercado de trabalho, que hoje tem alguns profissionais negros em frente da câmera, mas que ainda é infinitamente reduzido e não expressa nada da nossa sociedade.

“As coisas vão acontecendo muito lentamente, mas é bom pensar que as gerações futuras vão enxergar novos profissionais negros na televisão. Eu acredito que nós teremos mais força. Eu posso chegar lá e dar um passo a mais. Espero que minhas filhas, não sei que área vão seguir, mas que tenham um outro cenário, que comecem de um outro ponto, porque outros arriscaram e esse é o grande ganho da nossa geração.”

Recordações também não faltam ao Marquinhos. Sem nem imaginar uma carreira acadêmica, ao se formar em jornalismo no FIAM-FAAM, em 1985, Marcos Nunes, o  professor Marquinhos, jornalista e docente da disciplina de Radiojornalismo, dá aulas na casa desde 2001. “Ao sair do FIAM-FAAM eu já estava no mercado de trabalho e não vislumbrava qualquer perspectiva de ser professor. Foram 23 anos atuando como jornalista em rádio, nas rádios Jovem Pan e Bandeirantes.”

LEIA MAIS SOBRE O PROFESSOR MARCOS NUNES NO LINK:
https://aicomfiam.net/2017/12/01/especial-45-anos-trajetoria-profissional-teve-inicio-no-curso-de-jornalismo-do-fiam-faam/

Paixão

Hoje professora, Cássia Ferreira entrou no curso de Publicidade e Propaganda do FIAM-FAAM no ano de 1973. Aluna da segunda turma, formada em 1976, ela nunca deixou o mercado de trabalho. “Comecei como assistente de marketing de uma grande construtora na época e aí começou toda a minha carreira na área atendimento publicitário. Em 1987 eu fui convidada pelo coordenador, que tinha sido meu professor aqui, aceitei e fui dar aula de pesquisa de mercado”, lembra Cássia, que ficou apenas um ano na docência, depois que recebeu uma proposta para voltar ao mercado publicitário.

FOTO CÁSSIA
Professora Cássia Ferreira

“Mas em 1996 voltei e estou aqui até hoje. São 22 anos. São 22 anos de muita parceria, convivência com profissionais e colegas de grande competência e generosidade fazendo com que eu evoluísse muito como pessoa, como profissional. As lembranças que eu tenho são muitas”, recorda Cássia, que durante esses anos, foi professora nos cursos de Administração, Moda e Publicidade de Propaganda – no qual ficou a maior parte do tempo. “Nesse período aqui, fiz muitas amizades, tenho muitos amigos, só lembranças boas.”

Nesses 22 anos, ela destaca 15 anos como professora orientadora de trabalhos de conclusão de curso (TCC) de publicidade e propaganda, segundo ela, fase de convivência intensa com alunos e também repleta de emoção, “uma mistura de felicidade e tristeza, orgulho, despedida, mas uma certeza de dever cumprido e de ter feito o melhor possível nessa parte da história de cada um dos nossos alunos que é tão importante.”

Etapa essa que mesmo após concluída dá a ela uma imensa recompensa. “Eu vejo eles hoje no mercado de trabalho felizes, fazendo sucesso e essa é a maior gratificação que eu como professora posso ter, de ver a colaboração, empenho, dedicação e os frutos que tudo isso dá. Fico muito feliz com isso e por essa profissão poder me dar esse retorno”, conta.

 

* O texto na íntegra poderá ser conferido no primeiro número da Revista Dumela – revista do Núcleo de Estudos Étnicos-Raciais (Nera) em fevereiro de 2018

 

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