ESPECIAL 45 ANOS: Mudanças aproximam aluno do professor

Professora destaca diminuição de barreiras e aluna aponta a importância do ensino e a persistência para vencer no mercado

Edilaine Felix
(texto original Revista Dumela) *

“Eu vejo pessoas. Eu tenho dificuldade para definir se tal aluna era negra ou japonesa ou qual era o sobrenome. Eu sempre quis saber quem eram as pessoas.” Há 21 anos dando aula para alunos dos primeiros semestres dos cursos de publicidade e propaganda a professora Beatriz Zaragoza, a Bia, ressalta como positivo, nesses anos de docência, a diminuição da distância entre aluno e professor. “Você deixa de estar num pedestal e ele fala de um ser humano para outro ser humano.”

As emoções e alegrias de ser professora são inúmeras. Bia revive algumas, como quando foi professora de jovens que foram seus alunos no ensino e médio e de sua filha mais nova no curso de jornalismo do FIAM-FAAM. “E fui substituir um professor e era a turma da minha filha, foi uma experiência muito gostosa e eu, inclusive, entreguei o diploma para ela na formatura.”

FOTO BEATRIZ
Professora Beatriz Zaragoza

Para Bia, as alegrias dos 21 anos de FIAM-FAAM vão além das lembranças de alunos. São recordações também da solidariedade dos colegas. De colegas que foram seus alunos. “Descobrir que estava com câncer este ano e a postura dos colegas comigo foi de muito  carinho, de carregar no colo, de atenção, atitudes que eu não esperava. São coisas que me deixam muito feliz,  saber que estou num ambiente no qual as pessoas se preocupam com as pessoas.”

Persistência

Laise Alves, formada em Publicidade e Propaganda em 2014, também evidencia a importância de ter um núcleo para discutir a temática étnico-racial nas universidades. “Durante o período da faculdade, nós éramos 3 negros em uma sala de 45 alunos estudando PP”, diz a social media da agência Twist. Ela lembra que quando decidiu cursar a faculdade o pai dizia: “essa não é profissão para preto”.

Com lembranças de muito estudo e dedicação durante os 4 anos de curso, Laise, que sempre teve aptidões para a publicidade, sempre se destacava em sala de aula. “Não era só tirar a nota, era tirar a melhor nota, era sempre apresentar um bom trabalho. Representatividade conta muito, ter em quem se espelhar, o que infelizmente dentro da faculdade no meu período eu não tive. Eu não tive a referência de uma pessoa negra para seguir, mas depois que entrei no mercado descobri pessoas negras que fazem um trabalho brilhante.”

laise.jpg
Laise Alves, publicitária (foto: Eduardo Viné Boldt)

Consciente da importância da formação e das transformações do mercado da publicidade, Laise também reconhece as dificuldades de afirmação e assim como Joyce Ribeiro (formada e jornalismo no FIAM-FAAM no final dos anos 1990) Laise identifica os percalços. “Se já é difícil para mulher e para o negro, para a mulher negra é mais difícil ainda. Mas tem aparecidos ações afirmativas, de algumas agências, o mercado descobriu, finalmente, que quanto mais diversidade nas empresas melhor os resultados. Principalmente no mercado de publicidade, no qual é preciso ter várias visões para atender melhor o público. O mercado está se posicionando para aumentar a diversidade”, diz a jovem.

* O texto na íntegra poderá ser conferido no primeiro número da Revista Dumela – revista do Núcleo de Estudos Étnicos-Raciais (Nera)

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s