O papel da mulher indígena é tema de debate

Por Sérgio Sá

A quinta e última roda de conversa realizada no auditório do Campus Ana Rosa, do FIAM FAAM – Centro Universitário, encerrou um ciclo de eventos iniciados no dia 19 de abril (Dia do Índio no Brasil). O evento foi coordenado pelos Núcleos de Estudo Étnicos-Raciais e do Meio Ambiente (NERA e NEMA).

Nesta conversa as professoras Maria Lúcia Silva e Heloísa Prates Pereira receberam a pedagoga, índia guarani Jera Giselda Tenondé Porã, líder da comunidade indígena dos Guaranis instalados numa área demarcada na região extremo sul da capital paulista, entre os bairros de Parelheiros e Engenheiro Marsilac.

A comunidade e o processo de demarcação

A comunidade indígena é composta de sete aldeias diferentes instaladas dentro do território que é composto por 26 hectares em uma área com três órgãos públicos, um posto de saúde, uma escola municipal e uma estadual.

“A documentação exigida pelo governo brasileiro é extensa e está totalmente afastada da realidade do povo guarani”, diz Jera que também recorda as manifestações nas ruas de São Paulo reivindicando a portaria declaratória (documento que legitima a posse da área indígena demarcada) e os conflitos gerados na ocasião pela cidade vizinha da tribo, São Bernardo do Campo.  O auge da disputa resultou na invasão da Prefeitura da cidade do ABC pelos índios guaranis.

Uma comunidade singular e uma líder nata

Um verdadeiro paraíso em plena região urbana de São Paulo, assim é a tribo que reúne cerca de 1.000 guaranis divididos em sete aldeias espalhadas dentro da área demarcada. A maioria são mulheres, cerca de 60%, uma delas é a Jera.

Jera Giselda, que até os 11 anos era analfabeta e falava apenas o dialeto guarani, resolveu aprender o idioma português, seguiu os estudos até concluir o ensino médio (magistério) e, em 2008, formou-se em Pedagogia na Universidade de São Paulo (USP).

Desde então tornou-se líder e integrante do Conselho da Tribo Tenondé Porã – que reúne cerca de 42 membros das tribos (16 homens e 16 mulheres) que decidem os rumos dos indígenas no território. Jera foi, inclusive, à Brasília finalizar o processo de demarcação da terra com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), pouco antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016.

A mulher na comunidade: violência e diversidade sexual guarani

Ao contrário do que se imagina, na aldeia guarani em São Paulo, as mulheres são respeitadas e a lei indígena é severamente aplicada aos índios guaranis mais “desavisados”.

Agressões físicas contra a mulher guarani da tribo Tenondé Porã são punidas após decisão do Conselho, com trabalhos forçados por 15 dias ao homem agressor e exposição pública do “valentão” a toda tribo. Se a violência gerar um ferimento mais grave, o índio agressor é encaminhado à Delegacia de Polícia para ser punido de acordo com as leis dos homens brancos.

Agnes, aluna do 2º Semestre do curso de Relações Públicas, questionou a líder indígena sobre a diversidade sexual na comunidade e Jera diz há há mais ou menos 4 anos foi  celebrado na tribo guarani o primeiro casamento lésbico consagrado pelo Cacique e pelo Conselho Tribal que Jera Giselda faz parte.

Caso os alunos queiram conhecer a Tribo guarani é possível agendar visitas guiadas. Informações nos Núcleos do FIAM FAAM –  Centro Universitário.

 

 

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