A periferia também tem voz!

Por Natalia Macedo e Luiza Campos

Com a presença de Nina Weingrill, diretora da “Énóis inteligência jovem e Escola de Jornalismo”; Juliane Cintra, repórter na “Ação Educativa”; Aline Kátia Melo, jornalista e co-fundadora do coletivo “Nós Mulheres da Periferia” e Danilo Barreto conhecido também como Mano Zoio, locutor no programa Revolução Rap da “Rádio Heliópolis”, a discussão sobre Jornalismo e Periferias, mediado pela professora da graduação e do Mestrado Profissional da instituição, Cláudia Nonato, teve início na manhã de quarta-feira, dia 5, na Semana de Jornalismo.

A mesa de debates abordou a como a grande mídia relata assuntos como luta das mulheres negras e como se dá o processo colaborativo dos jovens periféricos na formulação de formas alternativas de comunicação.

O principal problema sobre o jornalismo atualmente é a falta de visibilidade da periferia ou – muitas vezes – a forma negativa como ela é retratada. Para Danilo Barreto, o problema se dá porque a grande mídia sempre faz uma transmissão distorcida dos fatos. “Ninguém vai lá de fato conhecer e mostrar mais coisas, tentar revolucionar o contexto social”, diz.

Segundo Juliane Cintra, o acesso à comunicação na periferia é fundamental, principalmente em relação às mulheres. No entanto, ela acredita que esse é mais um direito negado, e justamente por isso, a própria periferia tem buscado criar formas particulares de comunicação.

A respeito dessas iniciativas, Aline Kátia Melo trouxe a experiência dos projetos desenvolvidos pelo “Nós, mulheres da periferia” como exposições pelos bairros, organização de palestras, a produção do documentário “Nós, Carolinas”.

Nina Weingrill falou também sobre os produtos produzidos pelos alunos na Escola de Jornalismo como, por exemplo, o guia gastronômico da periferia.

A mesa de debate marcou o terceiro dia da Semana de Jornalismo do FIAMFAAM Centro Universitário e celebra, também, o aniversário de 45 anos do curso de jornalismo da instituição.

O Jornalismo e a Periferia: o que eles pensam

Nina conta que foi ao iniciar uma oficina em uma ONG no Capão Redondo que percebeu que o jornalismo precisava estar disponível e acessível para todos. Segundo ela, cada aluno que chega na “Énois Inteligência Jovem e Escola de Jornalismo” tem um interesse específico. “As turmas mais recentes têm grande demanda. São jovens politizados, que trabalham em movimentos sociais, engajados socialmente, então a necessidade deles é fazer com que o jornalismo seja uma ferramentas de lutar por direitos, pelos quais eles já lutam, mas de uma forma mais ampla para que eles consigam atingir mais gente.”

Danilo Barreto, mais conhecido como Mano Zoio é locutor da “Rádio Heliópolis” no programa Revolução Rap, compartilhou com os alunos a importância da rádio e como ela funciona e ajuda os moradores da comunidade. “Internet antigamente era somente para rico, faculdade era só para playboy e para quem tivesse dinheiro, mas hoje na rádio a gente incentiva os jovens. Hoje temos no Heliópolis uma escola técnica, a Etec, e a gente incentiva o jovem a ingressar, a fazer faculdade e correr atrás”, diz.

Quando o assunto é a mulher da periferia a repórter Juliane Cintra, da Ação Educativa, fala que a questão é mais de direitos humanos, de terem o direito à comunicação. “A comunicação é um direito, e então você olha para uma população da periferia, de mulheres periféricas e consegue construir uma trajetória onde diversos direitos são negados, o direito a moradia, a cidade, ao lazer, a saúde, a educação de qualidade, e a comunicação entra nesse contexto como mais um dos direitos negados. E é fundamental que temas como comunicação e segurança pública tenham visibilidade.”

Para Aline Katia Melo, jornalista da Agência Mural de Jornalismo das Periferias e co-fundadora do coletivo “Nós, Mulheres da Periferia”, existem realidades que estão sendo divulgadas pela grande mídia em que as mulheres não estão se reconhecendo. E com a criação do coletivo formado por nove mulheres começaram a discutir e abordar o tema. “A gente vê a importância de trazer discussões e temas que nos envolvem no dia a dia e que esses temas também possam ir para a grande mídia dessa forma. Queremos sair dos estereótipos, tanto da periferia quanto da mulher da periferia, que as periferias são múltiplas assim como as mulheres nas periferias são múltiplas. E a gente fala dessa diferença de perfis, idades e escolhas.”

 

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