Sensibilidade à flor da pele

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Oficina realizada na “6ª  Semana de Comunicação” mostra como o estudo da arte e a prática do teatro possibilita uma nova percepção da realidade

Por Leandro Oliveira[1]
Edição: Fabíola Tarapanoff[2]

Sensibilidade em tudo que vemos, tocamos e nos lugares que passamos. A oficina “Imagem, corpo e presença” apresentada na “6ª  Semana de Comunicação do FIAM-FAAM-Centro Universitário” realizada por Márcia Rodrigues da Costa e Mariana Lapolli e mediada pela Prof. Fabíola Tarapanof mostrou como isso se revela no cotidiano.

É preciso exercitar um olhar para dentro de si e assim enxergar profundamente todos  aspectos que estão ao redor e em comunicação com o universo. Tudo e todos parecem estar conectados por meio de uma força invisível que se chegar bem perto, é possível ter uma melhor percepção.

Nos dias atuais corridos e principalmente em São Paulo – é compreensível não sobrar tempo para sentir de fato. E com essa oficina foi possível tirar algumas horas para conhecer uma nova forma de pensar, refletir e sentir.

A oficina possibilitou uma conexão direta de cada participante com si mesmo. Cada exercício feito permitiu viver aquilo de uma forma muito intensa, alcançando um olhar intuitivo e sensível.

Aguçar a imaginação e a inspiração, por meio de fotos, como as de Vivien Maier, babá reclusa que fez milhares de fotos durante a vida e que só foi redescoberta após sua morte. Tudo isso fez despertar um sentimento que com calma e tranquilidade é possível se tornar o que se quer. Na oficina foi possível por meio de pequenas cenas vivenciar em um curto prazo e resgatar sonhos talvez perdidos – ou deixados para trás – por algum outro motivo.

Na oficina os alunos entendem quais componentes integram uma imagem, dialogando com seus aspectos culturais e percebendo os afetos que ela desperta, explica Márcia Costa, pós-doutoranda em Imagens pela Universidade de Sorocaba (UNISO), com um estudo sobre autorretrato. “A presença corporal foi enfatizada, abordando o papel de cada um na cena e como observador da mesma. Ao compreenderem isso, os alunos têm maior noção de como criar imagens mais ricas, mais complexas”.

As práticas corporais que foram aplicadas de uma forma, em que cada um pode escolher o que fosse mais interessante ajudou demais no trabalho que foi apresentado. Parecia que cada um naquela oficina achou o seu papel, todos com grande importância, sem deixar que a opinião de um interferisse na do outro e assim sucessivamente. Havia lugar para todos e foi possível trabalhar perfeitamente bem em cima disso.

Segundo a professora Mariana Lapolli, pós-doutora em Mídias do Conhecimento “é fundamental conduzir os alunos a um estado de experiência nas atividades práticas, compreendendo que não existe certo e errado.” “Com isso eles adquirem confiança e se conectam em num estado de presença importante para a construção de um olhar mais atento e sensível para as imagens cênicas ou do cotidiano”, complementa.

Fora essas práticas, a parte teórica também foi de grande importância para chegarmos aos resultados em que chegamos. Observar cada detalhe nas fotos de Vivian Maier, deu uma importância ainda maior para os resultados finais. A simplicidade em suas fotos e a perspectiva que ela tinha do cotidiano era impressionante e levou a pensar – e questionar – qual seria a prática corporal, qual olhar intuitivo ela se prendia para chegar a resultados tão impressionantes? São trabalhos incríveis, de uma forma completamente simples e ao mesmo tempo complexa e são esses detalhes que prendem o interesse e aguça a imaginação de quem o vê.

Para Fabíola Tarapanoff, professora do FIAM-FAAM-Centro Universitário, ver o trabalho da fotógrafa, estimula a pensarmos uma nova forma de olhar o cotidiano e a nós mesmos. “Mesmo reclusa, discreta, ao realizar aquelas fotos ela podia ter um pouco mais de liberdade do que tinha no cotidiano. Ao procurar retratar pessoas anônimas, ela encontrava a si mesma e a sua identidade”, completa.

Uma oficina riquíssima em teoria, muito mais rica em prática e com um resultado extremamente satisfatório, com certeza, foi um dos maiores destaques desta semana. São oficinas como esta que fazem pensar e repensar a maneira de olhar para o outro, para o mundo. E é isso que traz a mudança se a pessoa enxerga de maneira errada ou se simplesmente não estiver enxergando.

[1] Aluno do sétimo semestre do curso de Jornalismo do FIAM-FAAM-Centro Universitário.
[2] Professora do curso de Jornalismo do FIAM-FAAM-Centro Universitário. Atua na Agência Integrada de Comunicação.

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